BH tem 59 crianças e adolescentes em situação de rua; 27 têm até 6 anos, aponta estudo
24/07/2026
(Foto: Reprodução) Quase 60 crianças vivem nas ruas de Belo Horizonte
Belo Horizonte tem 59 crianças e adolescentes vivendo em situação de rua. Entre eles, 27 têm até 6 anos de idade, fase considerada fundamental para o desenvolvimento humano. Os dados são de um levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da UFMG, em parceria com a Rede Nacional Criança Não é de Rua.
O estudo mostra que crianças na primeira infância vivem expostas à violência, à insegurança, ao trabalho infantil e à falta de acesso a direitos básicos, como saúde, educação e convivência familiar.
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Segundo o Ministério da Saúde, os seis primeiros anos de vida representam a chamada "janela de oportunidades", período em que o cérebro se desenvolve mais rapidamente e são construídas habilidades fundamentais para a aprendizagem, o desenvolvimento emocional e as relações sociais. Quando essa etapa é vivida nas ruas, os impactos podem acompanhar a criança por toda a vida.
"A rua é uma situação de extrema vulnerabilidade. Essas crianças ficam expostas ao medo, à insegurança e à violência desde muito cedo", afirma a psicóloga Lívia Boareto.
Imagem de uma criança trabalhando no sinal
Reprodução/TV Globo
Levantamento foi divulgado no aniversário da Chacina da Candelária
O estudo foi lançado na data em que a Chacina da Candelária completa 33 anos. Em 23 de julho de 1993, oito crianças e adolescentes em situação de rua foram assassinados enquanto dormiam nas proximidades da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro.
O crime, cometido por policiais militares, tornou-se um dos principais símbolos da violência contra crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade no Brasil.
Segundo os pesquisadores, mais de três décadas depois, o país ainda enfrenta dificuldades para garantir proteção integral a essa população.
Chacina da Candelária completa 30 anos
Reprodução/TV Globo
Jovem relata como conseguiu deixar as ruas
A realidade retratada pelo levantamento também aparece na história de um jovem de Belo Horizonte, hoje com 18 anos, que preferiu não ser identificado durante entrevista à TV Globo.
Ele conta que saiu de casa aos 10 anos e passou a viver nas ruas. Nesse período, começou a usar drogas e afirma que acabou recorrendo à prostituição para conseguir dinheiro.
Anos depois, ao receber apoio da rede de assistência, conseguiu mudar de vida.
"Eu comecei a conhecer pessoas boas, diferentes do mundo em que eu vivia. Passei a receber orientações sobre um caminho melhor e consegui mudar minha direção", relata.
Centro Pop Miguilim oferece acolhimento a crianças e adolescentes
Durante o período em que viveu nas ruas, o jovem passou a frequentar o Centro Pop Miguilim, equipamento da Prefeitura de Belo Horizonte voltado ao atendimento de crianças e adolescentes de até 17 anos em situação de vulnerabilidade social.
No espaço, os usuários recebem quatro refeições por dia e participam de oficinas de música, grafite, cinema, inclusão digital e outras atividades socioeducativas.
Segundo a coordenadora do serviço, Priscila Santana, o objetivo é oferecer proteção e garantir direitos.
"Nosso público é marcado pelo trabalho infantil, pela violência e por diferentes formas de vulnerabilidade. O Centro Pop é um lugar de proteção e de referência para essas crianças e adolescentes", comentou Priscila.
O Centro Pop Miguilim atende crianças e adolescentes de até 17 anos em vulnerabilidade
Reprodução/TV Globo
Especialistas defendem políticas públicas permanentes
Para André Luiz Freitas, coordenador do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da UFMG, os locais de acolhimento são importantes, mas não resolvem o problema sozinhos.
Segundo ele, a saída passa por políticas públicas integradas que envolvam moradia, educação, saúde, assistência social e apoio às famílias.
"Receber provisoriamente essas crianças é importante, mas não é suficiente. É preciso garantir políticas estruturantes para que elas consigam deixar as ruas junto com suas famílias", explicou André.
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