Casal de bugios 'adota' filhote órfão e nova família volta ao habitat natural
25/07/2026
(Foto: Reprodução) Casal de bugios 'adota' filhote órfão e nova família volta ao habitat natural
Um filhote de bugio-preto (Alouatta caraya) que ficou órfão após ser resgatado foi adotado por um casal adulto da mesma espécie durante um estudo realizado no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), em Patos de Minas. A pesquisa pode ajudar a aumentar as chances de reabilitação e soltura de filhotes órfãos na natureza.
A pesquisa mostrou que o casal aceitou o filhote e passou a apresentar comportamentos semelhantes aos observados entre pais e filhotes na natureza.
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O estudo foi realizado pela especialista Izabela de Lima Costa e pela doutora Elisa Queiroz Garcia, em parceria com o Cetras. Segundo as pesquisadoras, há poucos estudos científicos que documentam esse tipo de adoção entre bugios em programas de reabilitação.
Antes da aproximação, as pesquisadoras acompanharam o comportamento do casal durante 24 dias com o uso de câmeras trap, que registram imagens automaticamente por meio de sensores de movimento, sem interferência humana.
Após esse período, o filhote começou a conviver com os adultos de forma gradual até permanecer definitivamente com eles. Todo o processo foi registrado e analisado pelas pesquisadoras.
No início, as principais preocupações eram que o macho enxergasse o filhote como um competidor e que a fêmea não demonstrasse comportamento de cuidado parental.
Nos primeiros dias, houve disputas por espaço, comportamento considerado esperado nesse tipo de interação. Com o tempo, porém, os animais passaram a permanecer próximos, trocar contato físico e demonstrar comportamentos de cuidado entre si.
Segundo Izabela, quando um filhote cresce isolado, pode deixar de desenvolver comportamentos importantes para a sobrevivência, o que reduz as chances de sucesso após a soltura.
O estudo mostrou que a convivência com indivíduos da mesma espécie favorece esse aprendizado e pode tornar a reintrodução na natureza mais segura.
Livres
Não foi informado o período de abrangência da pesquisa, mas o desfecho confirmou os resultados observados durante o estudo. Depois do período de reabilitação, o casal e o filhote foram soltos juntos na natureza, formando um grupo social.
Segundo Izabela, a soltura foi um dos momentos mais importantes da pesquisa e reforça a importância de desenvolver estratégias que aumentem as chances de reabilitação de animais silvestres órfãos.
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Casal de bugios observado antes da inserção do filhote, acima a fêmea, e abaixo o macho
Cetras/Divulgação
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