Descoberta de nova espécie de perereca em MG reforça importância da pesquisa e preservação do Cerrado
11/03/2026
(Foto: Reprodução) A Ololygon paracatu está presente em apenas dois locais na região em que foi encontrada
Alejandro Valencia-Zuleta/Divulgação
Pesquisadores identificaram uma nova espécie de perereca que vive no Cerrado do Noroeste de Minas Gerais. Batizada de Ololygon paracatu, o anfíbio foi encontrado em duas áreas próximas a afluentes do rio Paracatu, o maior afluente da margem esquerda do rio São Francisco. Os pesquisadores destacam que a descoberta reforça a riqueza de biodiversidade e a importância de continuar estudando o bioma.
A Ololygon paracatu habita em matas nas proximidades de córregos e riachos. Ela é de pequeno porte, medindo entre 20,4 mm e 35 mm, aproximadamente o tamanho de uma colher de sopa.
A escolha do nome homenageia o rio. Para os pesquisadores, a escolha reflete a importância desse afluente. Eles destacam que a situação dos recursos hídricos do rio Paracatu, que sofre com as interferências humanas, são dignas de atenção e projetos de preservação.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp
O rio e a ciência
O professor Reuber Brandão, doutor em Ecologia, explicou que o rio Paracatu sofre impactos relacionados principalmente à captação de água para agricultura e mineração, fatores que intensificam a degradação do ambiente.
Agora, a confirmação de sua presença mostra que ainda existe possibilidade de manter a qualidade do meio ambiente no segundo maior bioma do país.
“A presença da perereca depende de um ambiente conservado e a Ololygon paracatu prova que apesar de a região sofrer com o excesso de mineração da terra ainda existe possibilidade de manter o equilíbrio nesse ambiente”, afirmou.
Segundo o pesquisador, anfíbios são considerados bons indicadores da qualidade ambiental porque dependem diretamente da água para sobreviver e se reproduzir. A presença de novas espécies indica que há muito o que ser pesquisado e que pode ser descoberto no cerrado mineiro.
"A identificação de novas espécies beneficia toda a sociedade. Os anfíbios como a Ololygon paracatu podem produzir substâncias com potencial uso em pesquisas biomédicas. Estudar essas espécies pode levar à descoberta de novas substâncias biotecnológicas e até medicamentos para doenças que afligem a sociedade”, explicou Reuber Brandão.
A descoberta
A identificação da Ololygon paracatu começou dentro de uma coleção biológica com várias outras espécies de perereca analisadas por um grupo de pesquisadores. Durante a revisão dos anfíbios, cientistas perceberam características diferentes dentro de um mesmo grupo.
A partir da observação inicial foram realizadas análises detalhadas. A bióloga do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN-ICMBio), Daniele Carvalho, é uma das responsáveis pela parte do estudo que fez a gravação de vocalização e análises genéticas.
"Eu estava avaliando indivíduos de outra espécie, avaliando a parte externa, para ver as diferenças entre populações. Em uma coleção de bichos de várias regiões, percebi que dois indivíduos, vendo a olho nu, eram diferentes", comentou a pesquisadora.
Segundo a bióloga, muita atenção foi necessária na observação. Afinal, perceber a diferença a olho nu é difícil porque as espécies são muito parecidas.
Por isso, as análises das pererecas foram intensificadas e Daniele percebeu algumas diferenças na nova espécie, como a proximidade da cabeça com o focinho, além de medidas corporais e padrões específicos.
"Foi o que me gerou essa desconfiança, assim como o tipo de som que essa espécie emite. Mas a dúvida só virou certeza após as análises de DNA, que confirmaram uma distância significativa em relação às espécies já existentes do gênero".
A Ololygon paracatu habita em matas nas proximidades de córregos e riachos, é uma perereca de pequeno porte, com machos medindo entre 20,4 e 28,2 mm e fêmeas que vão de 29,3 a 35,2 mm. É aproximadamente o tamanho de uma colher de sopa.
A nova espécie identificada é de pequeno porte, mede o equivalente a uma colher de sopa
Alejandro Valencia-Zuleta/Divulgação
Mais uma para a lista
Conheça as outras espécies que ganharam a companhia da Ololygon paracatu
Ololygon canastrensis;
Ololygon centralis;
Ololygon goya;
Ololygon luizotavioi;
Ololygon macahadoi;
Ololygon pombali;
Ololygon skaios.
Presença da perereca depende de um ambiente conservado
Alejandro Valencia-Zuleta/Divulgação
LEIA TAMBÉM:
Maior dente de titanossauro do mundo é encontrado em MG
Formato de um lápis e muito desgastado: veja como é o maior dente de titanossauro do mundo
Fóssil de lagarto mais antigo da América do Sul é descoberto
ASSISTA: Fóssil de peixe de 80 milhões de anos é descoberto em Uberaba
Fóssil de peixe de 80 milhões de anos é descoberto em Uberaba
VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas