Ex-deputado de SP troca agressões com manifestante na UFMG após ser alvo de ato durante gravação de vídeo
23/04/2026
(Foto: Reprodução) Vídeo mostra briga de pré-candidato a deputado de SP com manifestante na UFMG
O ex-deputado estadual de São Paulo e pré-candidato ao cargo Douglas Garcia (União Brasil) e Marília Amaral (PL), esposa do deputado estadual de Minas Gerais Junio Amaral (PL), se envolveram em uma briga com estudantes da UFMG no campus Pampulha, em Belo Horizonte. A troca de socos entre Garcia e um manifestante, aluno da universidade, foi registrada em vídeo (veja acima).
Segundo a Polícia Militar, o tumulto começou após um ato político de Garcia e Marília na universidade na tarde desta quarta-feira (22). Eles gravavam um vídeo no local e estenderam um banner do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando passaram a ser alvo de um protesto de estudantes.
No vídeo em que o pré-candidato aparece em confronto físico com um manifestante, é possível ver que seguranças tentam separá-los. Outras pessoas aparecem em volta.
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De acordo com o boletim de ocorrência, a polícia foi acionada, inicialmente, para atender uma ocorrência de manifestação dentro da universidade. Segundo os militares, ao chegarem, foram informados pela segurança interna da instituição que a situação havia se transformado em uma briga generalizada.
Em nota a UFMG informou que "a gravação de conteúdo de cunho político não foi notificada às instâncias institucionais da universidade" (leia mais abaixo). Segundo a instituição, mobilizações organizadas ou com potencial de conflito "devem observar os procedimentos institucionais".
O g1 entrou em contato com a Polícia Civil e aguarda retorno.
Seguranças do campus tentaram conter agressões
Redes sociais/ Reprodução
Seguranças do campus tentaram conter a confusão
A equipe de segurança da universidade relatou à polícia que Douglas Garcia chegou ao campus por volta das 15h30, acompanhando de Marília Amaral.
Ainda segundo os vigilantes, eles fixaram um banner do ex-presidente Jair Bolsonaro em frente à Faculdade de Letras e foram orientados de que a ação poderia gerar conflitos.
Às 16h48, segundo a polícia, alguns estudantes começaram a se aglomerar ao redor do grupo, com manifestações contrárias à presença deles e ao conteúdo político. Pouco depois, por volta das 17h, começaram os primeiros empurrões e agressões.
Os seguranças do campus ainda tentaram formar um cordão de isolamento para conter a briga e conduzir os visitantes até a portaria principal. Sem sucesso, acionaram a polícia.
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O que diz a UFMG
Segundo a polícia, o vice-diretor da Fafich, Rogério Duarte do Pateo, informou que determinou a retirada dos visitantes ao tomar conhecimento de que se tratava de um ato político, mas disse não ter presenciado as agressões.
Em nota, a UFMG informou que a gravação de conteúdo de cunho político não foi notificada às instâncias institucionais da universidade e que a segurança universitária "atuou para preservar a integridade das pessoas e restabelecer as condições de normalidade no local."
"A Universidade ressalta que seus espaços são abertos ao debate público e à livre manifestação de ideias. Entretanto, estas atividades, em especial aquelas que envolvam mobilização organizada ou que tenham potencial de conflito, devem observar os procedimentos institucionais, sob pena de comprometer as condições adequadas de convivência acadêmica", afirmou em nota.
Para a polícia, testemunhas informaram que um estudante foi identificado com ferimentos leves e encaminhado à enfermaria da universidade, mas deixou o local antes de prestar depoimento.
O que diz o pré-candidato
Douglas Garcia afirmou à polícia que estava no campus para promover um debate político em espaço aberto, quando teria sido cercado por estudantes contrários à sua presença.
Segundo ele, houve empurrões e agressões, incluindo ataques contra Marília Amaral, que o acompanhava. Garcia relatou ainda ter sido atingido por um soco ao tentar intervir.
PM registrou ocorrência na delegacia
A ocorrência foi registrada pela PM, e os envolvidos compareceram posteriormente à delegacia para prestar depoimento.
Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre prisões ou desdobramentos judiciais do caso. O boletim de ocorrência não contém relatos de manifestantes.
Quem é Douglas Garcia
Douglas Garcia Bispo dos Santos é filiado ao União Brasil e foi deputado estadual no estado de São Paulo entre 2019 e 2023.
Em 2021, foi condenado pela 4ª vez a pagar indenização por divulgar centenas de dados pessoais de opositores ao mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 2022, o pré-candidato ingressou com um pedido de declaração de "autofalência", alegando não ter recursos para pagar as indenizações de mais de 80 ações judiciais julgados contra ele em vários estados brasileiros. Parte dessas ações diz respeito ao vazamento de dados sigilosos de opositores a Bolsonaro.
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