Mãe e filha vítimas da chuva são sepultadas em Juiz de Fora: 'Momento dilacerante', diz amiga
25/02/2026
(Foto: Reprodução) Juiz de Fora tem cemitério lotado após mortes em temporal
Familiares e amigos se despediram, nesta quarta-feira (25), das vítimas da tragédia causada pelas fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora no início desta semana.
Ao longo do dia, ocorreram cerca de 11 sepultamentos no Cemitério Municipal, marcados por comoção, homenagens e pela presença de dezenas de familiares, amigos e conhecidos.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp
'Momento dilacerante', diz amiga de vítima
Sepultamentos foram realizados ao longo desta quarta-feira (25) no Cemitério Municipal de Juiz de Fora
Luiza Sudré/g1
Entre os caixões cercados por flores estavam os de Jaqueline Teodoro de Fátima Vicente, técnica de enfermagem de 32 anos, e o de Neide Teodoro, mãe dela, de 58.
A profissional de saúde havia sido resgatada com vida após passar mais de 15 horas soterrada, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada desta quarta-feira.
Ao g1, a amiga de infância, maquiadora Gabriele Clemente, falou sobre a perda.
"Éramos amigas há cerca de 16 anos. Crescemos juntas no mesmo bairro, trabalhamos juntas e convivíamos todos os dias. Definir a Jaqueline em uma palavra é: alegria. Mesmo quando não estava bem, ela fazia de tudo para ajudar quem amava. Tinha um astral muito alto, sempre disposta e sempre sorrindo", disse.
Jaqueline havia concluído o curso técnico de enfermagem em setembro do ano passado. No mesmo deslizamento, a mãe dela também morreu soterrada. Até a última atualização, os corpos dos filhos da vítima, Pietro, de 9 anos, e Sofia, de 6, assim como do companheiro, ainda não haviam sido localizados.
"É um momento dilacerante. Perder uma amiga assim, tão jovem e tão cheia de vida, é uma dor imensa”, completou".
Jaqueline Teodoro chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu em Juiz de Fora
TV Integração/Reprodução
Vítimas morreram dormindo
Outro velório que comoveu quem passou pelo Cemitério Municipal foi o da pequena Melissa Emanuely Garcia, de apenas 2 anos, e o da avó, Fabiana Cristina Gomes, de 40.
As duas morreram após um deslizamento atingir a casa onde dormiam, no bairro Parque Jardim Burnier. Os pais da criança conseguiram escapar sem sofrer ferimentos.
A namorada da avó da menina, Elidiane Basildo Parvo, de 33 anos, falou sobre a perda.
"Minha afilhada, Melissa, tinha apenas dois anos. Ela estava dormindo em casa quando tudo aconteceu. Na residência estavam a mãe, o pai, a avó e Melissa. Os pais conseguiram sair, mas Melissa e a avó não resistiram. É uma dor que não tem explicação", contou.
Antes do sepultamento, a mãe de Melissa, Vitória Gomes, que conseguiu escapar, falou em entrevista à TV Integração: "Foi tudo muito rápido. Perdi minha mãe e minha filha de uma vez só, tudo o que eu tinha nesta vida", disse.
Moradora do Parque Burnier perde mãe e filha em desabamento de casas em Juiz de Fora
Luto no Demlurb
Colegas também se reuniram para dar o último adeus a Deogracia Aurélia Fernandes, funcionária do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb) da cidade.
A auxiliar de serviços Débora Bridges Ferreira dos Santos, que trabalhou com ela por dois anos, recordou a alegria contagiante da amiga.
"Além de colega, ela era uma grande amiga. Sempre muito alegre, disposta e participativa. Amava festas e gostava de estar na rua, nos blocos. Foi uma das idealizadoras do Bloco da Garizada, que fez grande sucesso. É uma perda imensa. O setor inteiro está de luto. Não haverá mais aquela alegria contagiante dela", contou.
Equipe do Demlurb se reuniu para se despedir da colega de trabalho, Deogracia Aurélia Fernandes
Luiza Sudré/g1
Acolhimento
Entre as pessoas presentes nos velórios, estava o vice-bispo da Administração Apostólica de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, que acompanhou os atos e prestou apoio às famílias.
Dom Gil esteve presente para prestar apoio nos sepultamentos em Juiz de Fora
Luiza Sudré/g1
Estamos ao lado das famílias enlutadas. É uma tragédia que ninguém esperava. É um momento de dor, mas também de fé e de força em Deus. Nossa presença, assim como a de tantos padres, representa solidariedade cristã, oração e ajuda concreta. Humanamente, não há explicação, mas, pela força da fé, podemos encontrar caminhos para superar
INFÓGRAFICO: Cidades afetadas em MG
g1/Arte
LEIA TAMBÉM:
ACOMPANHE AO VIVO as últimas informações da cobertura em tempo real
Sobe o número de mortos em Juiz de Fora e Ubá após forte chuva
Quem são as vítimas da chuva em Juiz de Fora
VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes