Menina de 12 anos morta no parto sem pré-natal foi liberada de UBS sem fazer exames
25/07/2025
(Foto: Reprodução) Centro Materno-Infantil de Betim, na Grande BH.
Divulgação/Prefeitura de Betim
A menina de 12 anos que morreu após realizar um parto de emergência no Centro Materno-Infantil de Betim, na Grande Belo Horizonte, foi liberada sem fazer exames após ser atendida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade.
Já com 8 meses de gestação e sem pré-natal, ela teve os exames agendados para quatro dias depois, mas no dia seguinte foi internada em estado gravíssimo. Ela morreu em decorrência de um choque refratário, informou a Prefeitura da cidade. O bebê sobreviveu e deve receber alta nos próximos dias.
“Toda gestação de adolescente é de altíssimo risco porque o corpo ainda não está preparado. Uma gestação, independente da idade da gestante, leva a diversas alterações no corpo da mulher. Quando se trata de um corpo em formação as alterações podem levar a complicações. Então, o atendimento de uma gestante de 12 anos precisa ser muito cuidadoso”, explicou a professora de ginecologia e obstetrícia e Coordenadora do Curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo .
A prefeitura informou que a idade da paciente e o estágio avançado da gestação foram levados em conta para priorizar os exames de pré-natal — fundamentais para garantir a saúde de gestantes e bebês — na rede municipal de saúde. No entanto, ela foi liberada logo após o atendimento e os exames foram agendados para a manhã de segunda-feira (14).
O atendimento na rede municipal de Betim
Segundo a Secretaria de Saúde Municipal de Betim, o primeiro atendimento da gestante na rede pública de saúde municipal foi na UBS Campos Elíseos, em 10 de julho. Ela estava acompanhada da mãe e da tia e não apresentava sinais clínicos de anormalidade no estado de saúde.
No dia seguinte (11), a menina deu entrada no Centro Materno-Infantil de Betim, acompanhada pelo pai e pela mãe, e já em estado gravíssimo. Ela foi encaminhada diretamente para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI).
Segundo a prefeitura, ela morreu na madrugada de domingo (13) em decorrência de um choque refratário após realizar o parto de emergência. O bebê sobreviveu deve receber alta médica nos próximos dias.
Indígena venezuelana
A menina era imigrante da Venezuela, pertencente à comunidade indígena Warao, originária do mesmo país. Ela vivia com a família e outras cerca de 150 pessoas em uma ocupação de moradia irregular em Betim.
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Pai tem 16 anos
A Polícia Civil de Minas Gerais recomendou a aplicação de medida socioeducativa ao adolescente de 16 anos suspeito de ter mantido relações sexuais com a menina de 12 anos que morreu após o parto em Betim, na Grande Belo Horizonte, no último dia 13.
Segundo a corporação, foi constatado que houve ato infracional equivalente ao crime de estupro de vulnerável. O caso está sendo analisado pelo Ministério Público por meio da Promotoria de Justiça de Betim, que irá decidir se vai oferecer representação pelo ato infracional ou pedir novas diligências.
Os pais da gestante informaram ao setor psicossocial do Centro Materno-Infantil que já tinham conhecimento prévio da gestação e que conheciam o pai da criança.
Como a vítima tem menos de 14 anos, a legislação classifica o caso como estupro de vulnerável. No entanto, sendo o suspeito uma pessoa menor de 18 anos, é tratado como ato infracional, cabendo ao Conselho Tutelar adotar as medidas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A delegada Patrícia Soares Godoy, que investigou o caso, informou que “o adolescente admitiu ter mantido relações sexuais com a vítima em pelo menos três ocasiões desde o final de 2024, alegando desconhecer a ilicitude do ato".
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), foram registrados 1.768 partos em Minas Gerais de meninas com idade de até 14 anos, de 2023 até 2 de julho deste ano. Os dados são do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC).
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