Mulher que morreu de hepatite A em Juiz de Fora saiu após chuva para 'ajudar amiga que estava com água na cintura', diz filha
14/05/2026
(Foto: Reprodução) Juiz de Fora registra morte por hepatite A; casos passam de 800 em 2026
A cuidadora de idosos Ângela Cristina Terra Pinto, de 60 anos, primeira vítima confirmada por hepatite A em Juiz de Fora em 2026, tinha o hábito de ajudar vizinhos no bairro Santa Luzia, onde vivia.
Segundo a filha, Thaís Terra, a mãe saiu de casa no dia 24 de fevereiro, cerca de dois meses antes dos sintomas, para auxiliar uma amiga após o temporal histórico que atingiu a cidade.
"Minha mãe morava em Santa Luzia e o bairro sempre alaga. Quando a água abaixava, ela já saía correndo para ajudar todo mundo. Ela pensava muito mais no próximo do que nela mesma", relembrou Thaís.
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Ângela morreu no dia 30 de abril e deixou duas filhas e um neto de 8 anos. Até o fim de abril, a cidade confirmou 808 casos da doença e tem o maior número de registros em Minas Gerais em 2026.
'Água na cintura'
No episódio de fevereiro, a cuidadora relatou à família que a situação da amiga era crítica.
"Ela saiu de casa falando que estava indo ajudar uma amiga que estava com água até na cintura. Quando voltou, contou que lá não tinha luz e que não conseguia fazer muita coisa, mas eu acredito que ela tenha ajudado na limpeza, porque ela não ia chegar lá e voltar sem agir", afirmou a filha.
Para a família, a cronologia reforça a tese de contágio. Os sintomas graves surgiram cerca de 60 dias após o contato com a lama, o que coincide com o limite da janela de incubação da doença (que varia de 15 a 50 dias, podendo se estender).
"Durante os dias de internação, os médicos explicaram que o vírus pode ficar incubado por esse período. Acho muita coincidência", desabafou Thaís.
Ângela Cristina Terra Pinto, primeira vítima de hepatite A em Juiz de Fora, ao lado das filhas e do neto
Thaís Terra Pinto/Arquivo Pessoal
Evolução do quadro
A confirmação da doença ocorreu na terça-feira (12), pelo Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), após resultado positivo da análise laboratorial.
Em nota, a Prefeitura informou que o óbito segue em investigação epidemiológica, com análise do quadro clínico e dos antecedentes para determinar a causa oficial da morte.
O quadro de Ângela evoluiu rapidamente:
24 de fevereiro: Ajudou na limpeza da casa de amigos após enchente. "Foi a única coisa diferente que ela fez", diz a filha.
23 de abril: Primeiros sintomas de mal-estar.
27 de abril: Internada na UPA Santa Luzia com vômitos e piora rápida.
28 de abril: Agravamento do quadro renal e neurológico; transferência para o HMTJ.
Início da madrugada de 30 de abril: Morte por falência hepática e sepse.
Ângela Cristina Terra Pinto morreu de hepatite A em Juiz de Fora
Thaís Terra Pinto/Arquivo Pessoal
Cenário em Juiz de Fora
Até o fim de abril, Juiz de Fora confirmou 808 casos de hepatite A, o que representa mais de 70% dos registros de Minas Gerais em 2026.
O número supera o total acumulado na cidade nos últimos 10 anos. Os registros estão distribuídos por todas as regiões, com maior concentração no Centro e na Zona Sul.
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Nota da Prefeitura na íntegra
"A Prefeitura de Juiz de Fora informa que o óbito de uma mulher, de 60 anos, com exame reagente para Hepatite A, segue em investigação. A análise laboratorial é apenas uma das etapas da investigação de óbito, que também considera quadro clínico, antecedentes epidemiológicos, fatores de risco e outras informações necessárias para determinar a causalidade. A PJF mantém o monitoramento dos casos na cidade, inclusive em razão do período de incubação da Hepatite A. Os dados mais recentes, no entanto, apontam queda média de 32% entre as cinco últimas semanas epidemiológicas, indicando tendência de redução. Por fim, conforme informado pela Secretaria de Estado de Saúde em entrevista a uma TV local, a Prefeitura reitera que Juiz de Fora não vive um cenário de surto".
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