Quer botar um bloco na rua em BH? Custo pode variar de R$ 8 mil a quase R$ 1 milhão
13/02/2026
(Foto: Reprodução) Saiba quanto pode custar botar um bloco na rua em BH
Os gastos para colocar um bloco na rua no Carnaval de Belo Horizonte variam, e muito, de acordo com o tamanho do desfile e a proposta de cada agremiação. O g1 conversou com quatro blocos que investem de R$ 8 mil a R$ 900 mil na folia.
Embora tenham realidades bastante distintas, todos concordam que o investimento público – e também privado – é cada vez mais importante para fazer a festa acontecer.
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Veja abaixo quanto gastam os blocos abaixo, de grande, médio e pequeno portes da cidade:
Quando Come se Lambuza – R$ 900 mil
Abalô-caxi – R$ 500 mil
Estagiários Brass Band – R$ 30 mil
Andacunfé – R$ 8 mil
Quando Come se Lambuza – R$ 900 mil
Desfile do Quando Come se Lambuza no Carnaval de BH
Phillipe Guimaraes
O Quando Come se Lambuza, que começou pequeno, entre amigos, em 2014, e se tornou um dos maiores blocos da capital, estima um investimento de R$ 900 mil em 2026.
Segundo o fundador e regente do QCSL, André Melado, as principais despesas são com trio elétrico, comunicação e equipe.
Cerca de 530 pessoas estão envolvidas diretamente no desfile, incluindo 200 seguranças, coordenadores de evolução, brigadistas, motoristas de carros de apoio, fonoaudiólogos e músicos – é preciso muita gente para organizar um cortejo para até 500 mil foliões.
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O montante inclui também tudo o que já foi gasto com oficinas de bateria e ensaios de dança nos últimos meses, além do trabalho da equipe que cuida do relacionamento com as marcas, a principal forma de financiamento do bloco.
Atualmente, o QCSL conta com apoiadores e patrocinadores públicos e privados. Outra fonte de recursos são os shows que a banda faz ao longo do ano.
André Melado, que há 12 anos uniu amigos e batuque com a intenção de comemorar o aniversário, hoje vive do bloco.
"Hoje em dia realmente estou dedicado a isso. Foi uma forma que encontrei de manter o profissionalismo e a entrega. A realidade de muitos blocos são pessoas que têm outros empregos e ainda precisam fazer milagre no tempo extra", disse.
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Abalô-caxi – R$ 500 mil
No Abalô-caxi, bloco que promove o protagonismo LGBTQIAPN+ desde 2017, somente o cortejo vai custar R$ 250 mil. O período de planejamento que antecedeu a festa demandou outros R$ 250 mil, totalizando um investimento de R$ 500 mil no carnaval de 2026. A expectativa do grupo é desfilar para 100 mil pessoas no próximo domingo (15).
Segundo o gestor administrativo do bloco, Gabs Estanislau, a maior despesa neste ano será com logística e profissionais de apoio. O 'Abalô' não vai precisar pagar pelo trio elétrico porque vai usar a estrutura da avenida sonorizada, do governo do estado.
Ao todo, R$ 42 mil serão gastos para contratar uma equipe de mais de 150 seguranças, além de brigadistas e cordeiros. Outros R$ 31 mil serão investidos em cenografia, que inclui caracterização do trio, materiais visuais e figurino. Além disso, parte do dinheiro vai para o cachê dos artistas.
Já os gastos que antecederam o desfile incluíram reuniões de planejamento, visitas técnicas, ensaios, estrutura de som e equipes de segurança. O bloco tem uma bateria com 260 integrantes, além de banda, ala de dança e, neste ano, um "Coral do Orgulho" com 56 vozes.
Para Gabs, além da atração de cada vez mais parceiros privados, é importante que o poder público crie formas não competitivas de acesso a recursos, diferentemente do que acontece hoje. O auxílio da Prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, foi distribuído para 104 de um total de mais de 600 blocos.
"Eu acho que a principal dificuldade dos blocos que estão aí fazendo a diversidade do carnaval, democratizando o acesso à cultura popular do carnaval de rua, é o acesso a fomento de manutenção e a garantia de continuidade do projeto. Termina um carnaval, e a gente já começa o desespero para saber se vai conseguir executar o próximo ensaio. [...] Acho que o mais importante para a gente é ter cada vez mais parceiros", disse Gabs.
Desfile do Abalô-caxi no Carnaval de BH
Amanda Andrade
Estagiários Brass Band – R$ 30 mil
Para sair neste carnaval, o Estagiários Brass Band investiu R$ 30 mil. Criado em 2018, o bloco desfila em formato de fanfarra, sem trio elétrico, o que já garante uma boa economia.
O principal gasto neste ano foi com a equipe que vai trabalhar na corda durante o cortejo. Outras despesas incluíram compra de água e alimentos, contratação de fotógrafos, equipe de filmagem e artistas circenses, além da impressão de partituras para os cerca de 200 sopristas cadastrados.
A maior parte do dinheiro veio do auxílio financeiro da prefeitura. O EBb foi um dos selecionados pelo edital do município e recebeu R$ 24,1 mil.
"Além desse incentivo da prefeitura, a gente conta com alguns patrocínios, mas o EBb também tem um caixa próprio que tem sido mantido com dinheiro de apresentações do coletivo", disse Mari Costa, integrante do grupo de produção do bloco.
Segundo ela, aproximadamente 300 pessoas ficam dentro da corda do EBb – além dos sopristas, o grupo conta com percussionistas, artistas pernaltas, coordenadores de evolução, produtores e também com a turma que distribui água e alimentos.
O bloco espera reunir em torno de 6 mil foliões no desfile, marcado para a próxima segunda-feira (16).
"O carnaval é um movimento cultural, artístico e político que demanda cada vez mais investimento. Nós já tivemos um custo adicional com corda e cordeiro que não tínhamos antes. Isso tudo vem como um reflexo do crescimento do Carnaval de BH", afirmou Mari.
Estagiários Brass Band é um coletivo belo-horizontino criado em 2018 e estruturado na forma de fanfarra
Anna Victoria Urbieta/Divulgação
Andacunfé – R$ 8 mil
O Andacunfé, que estreou no carnaval de 2020 em homenagem a Gilberto Gil e com repertório dedicado ao artista baiano, gastou cerca de R$ 8 mil em 2026.
Mais da metade foi para a sonorização – o bloco alugou um carro de som para o desfile, realizado no último sábado (7). Mas também teve investimento em água, arte gráfica, fotografia e vídeo, além do aluguel do espaço para os ensaios ao longo do ano.
Surgido a partir de aulas de percussão ministradas pelo fundador e regente Pedro Campolina no Aglomerado da Serra, o Andacunfé tem hoje 85 pessoas na bateria que ajudam a manter o bloco vivo. Na falta de patrocínio, foram as contribuições pagas por essa turma que garantiram o cortejo de 2026.
"Fizemos tudo na raça. A gente faz porque gosta mesmo e acredita no crescimento futuro, mas dá um certo desânimo", disse Pedro.
Segundo ele, para fazer o melhor desfile possível e com remuneração adequada para todos os envolvidos, o ideal seria um investimento muito maior.
"Eu estimo que seriam necessários no mínimo R$ 100 mil para todos os integrantes da banda receberem um cachê digno, para ter uma sonorização melhor, fotografia, vídeo. [...] Mesmo assim a gente vai na raça, faz uma coisa linda, mexe com o sentimento do público. Não vamos parar".
Desfile do Andacunfé no Carnaval de BH em 2026
Pablo Bernardo
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